Até
mesmo quem nunca mexeu no Linux sabe que esse sistema
operacional ganha novos usuários a cada dia. Quem
acompanha as notícias com mais freqüência
sabe que a maioria desses novos usuários são
empresas. O número de companhias que estão
adotando o Linux é cada vez maior. Mas, se por
esse lado o Linux alcança esse sucesso, por outro,
o lado dos usuários domésticos, o mesmo
não acontece. Não, isso não significa
que o número de usuários "caseiros"
não cresce. Isso acontece sim, mas numa proporção
menor se comparado ao crescimento do Linux nas empresas.
Por que será que existe essa diferença?
A
adoção do Linux pelas empresas se deve,
basicamente, aos seguintes motivos: custo/benefício
e capacidade de operação. As companhias
sempre buscam formas de cortar custos. Com o Linux, conseguem
fazer isso evitando gastos enormes com a aquisição
de licenças de software. É óbvio
que tais empresas não adotam um sistema simplesmente
por ser de baixo custo. É necessário que
esse sistema satisfaça as necessidades da empresa.
O Linux não só permite que isso aconteça
como também proporciona ótima performance
nas operações em que é destinado.
As empresas podem usar o Linux para diversas funções,
principalmente para aquelas relacionadas à redes.
As mais utilizadas são:
uServidor
de páginas na internet (servidor Web);
Servidor
FTP;
Servidor
de e-mail;
Servidor
Samba (Servidor Windows);
Servidor
DNS (Domain Name Server);
Gateway
(roteador) entre uma LAN (rede local, como num prédio,
por exemplo) e a internet;
Servidor
de banco de dados.
Esses
são os exemplos mais comuns. O Linux oferece uma
gama tão ampla de recursos que pode ser usado para
os mais diversos fins. Sabe-se, por exemplo, que estúdios
de cinema em Hollywood estão usando Linux em clusters,
principalmente para a geração de efeitos
especiais. De uma forma em geral, as empresas que adotam
o Linux contam com o fato de poderem alterar o sistema
para que ele se adeque às necessidades da companhia.
Do
lado do usuário doméstico, no entanto, isso
já não é tão promissor assim.
Mesmo com as distribuições Linux oferecendo
cada vez mais facilidade de uso a cada versão,
o Linux vem sendo adotado quase que exclusivamente por
usuários que trabalham com computação/informática.
É raro ver alguém que não seja da
área usando esse sistema. Isso acontece não
só por causa da popularidade dos sistemas operacionais
pagos, mas também porque o Linux ainda não
é um sistema fácil de se trabalhar, se comparado
com o Windows ou Mac OS, por exemplo. Talvez, facilidade
não seja o termo adequado a se empregar aqui, a
não ser que associemos tal termo à costume.
No geral, as pessoas, mesmo as que trabalham com informática
estão acostumadas a usar outro sistema operacional
e migrar para o Linux pode causar muita estranheza. Provas
de que essa questão de facilidade é relativa
podem ser vistas nos projetos de inclusão digital,
como os Telecentros em São Paulo. Neles, a população
carente tem acesso à internet e pode usar os computadores
para tarefas do dia-a-dia. O sistema operacional que roda
nesses computadores é o Linux. A maioria dessas
pessoas nunca teve contato com um computador. Com os Telecentros
estão tendo a primeira oportunidade.
Curioso
é notar que muitas pessoas acostumadas com o Windows
têm mais dificuldade em realizar determinadas tarefas
do que os usuários dos Telecentros. Isso porque
estão apenas acostumadas com outro sistema operacional.
Se olharmos para alguns anos atrás, veremos que
o Linux está cada vez mais fácil de instalar
e usar. Programas de escritório, de internet, de
tratamento de imagens e até mesmo jogos, são
oferecidos aos montes nas distribuições.
Praticamente todo tipo de software é desenvolvido
e disponibilizado para o Linux, sem que seja necessário
pagar nada. Decerto, alguns tipos ainda precisam evoluir,
como os jogos, que estão mais presentes em outros
sistemas. Mas isso é simplesmente uma questão
de tempo.
Outro
fator a contar é o desempenho. O Linux não
trava (às vezes isso acontece, mas não se
trata do Linux, e sim de algum componente seu, como o
ambiente gráfico), pois oferece um gerenciamento
de memória muito eficiente, segurança e
robustez. Mesmo com todas essas vantagens, o crescimento
do uso do Linux ainda é pequeno entre os usuários
domésticos e, como já foi dito, uma das
razões para isso é o costume com outro sistema
operacional. Para exemplificar: se em um determinado sistema
operacional o usuário consegue instalar drivers
para equipamentos de hardware, pode sentir grandes dificuldades
para fazer o mesmo no Linux. Em certos casos, uma tarefa
é mais simples de ser feita em um outro sistema
operacional. Isso porque esse usuário ainda não
está acostumado com o "sistema do pingüim".
As
empresas não precisam, dependendo da aplicação,
de facilidades de uso para utilizar o Linux, visto que
contratam mão-de-obra especializada. Elas dão
prioridade aos quesitos custo e desempenho. Um fato que
deve ser notado é que essas empresas nem sempre
utilizam o Linux como uma estação de trabalho
ou em PCs. Por que? Mais uma vez entra em cena a questão
do costume e facilidade. Os funcionários (por exemplo,
uma recepcionista) estranharão muito se tiverem
que usar o Linux. Mesmo quando as empresas oferecem treinamento,
leva tempo para uma adaptação. Apesar disso,
muitas companhias já perceberam que é menos
custoso investir em treinamento para uso do Linux do que
na aquisição de sistemas e programas pagos.
O
crescimento do uso do Linux entre usuários domésticos
é pequeno se comparado às empresas, mas
mesmo assim, é muito significante. Talvez, seja
até melhor simplesmente dizer "o uso do Linux
por empresas é maior que por usuários domésticos".
O usuário doméstico, na maioria dos casos,
ainda o vê como uma alternativa, não como
uma solução definitiva. Mas com o tempo
de uso, ele cada vez menos dependerá de outro sistema
e poderá chegar num ponto em que o Linux será
o único sistema operacional em seu computador.
Seja em sua casa ou em sua empresa, não importa.
O Linux oferece vantagens para ambos os lados, afinal,
Linux não é simplesmente um sistema operacional,
é um conceito na computação que se
adapta a qualquer nível de uso e que satisfaz praticamente
qualquer necessidade computacional.